SÃO PAULO - O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, acusou o jornal
americano "New York Times" e o britânico "The Guardian" de ocultarem
informações vazadas pela entidade. O ativista político expôs sua crítica
durante a palestra de abertura do evento Info Trends, em São Paulo,
feita por meio de videoconferência diretamente de Norfolk, no leste da
Inglaterra, onde está em prisão domiciliar.
- Os grupos de mídia ocidentais, do "New York Times" ao
"Guardian", mas especialmente o "Guardian", violaram nossos acordos. As
informações que revelam os criminosos foram retiradas dos documentos que
eles concordaram em publicar - acusou Assange.
Segundo ele, o "Guardian" teria admitido que não poderia publicar
nomes de pessoas com dinheiro ou poder para processá-lo porque
"simplesmente seria muito caro". Ele disse que o jornal publicou apenas
dois terços de um conjunto de documentos que denunciava a infiltração do
crime organizado no governo da Bulgária.
Sobre o "New York Times", o ativista informou que o jornal
publicou apenas dois parágrafos de um conjunto de 62 páginas de
documentação sobre Irã e Coreia do Norte. Além disso, o jornal americano
teria omitido a denúncia de um esquadrão da morte comandado pelo
governo americano no Afeganistão, notícia que o semanário alemão "Der
Spiegel" deu destaque.
O ativista disse que o Ocidente pratica censura, mas de um tipo
diferente da que há em ditaduras - que invadem a casa de indivíduos em
busca de informações.
- Na maioria dos casos, a censura funciona com a publicação de
mentiras para ocultar a verdade. Durante a guerra do Iraque, os Estados
Unidos gastaram bilhões de dólares para produção de conteúdo subsidiado,
produzindo fotos e releases.
Apesar das críticas aos grupos de mídia, Assange disse que a imprensa brasileira segue uma linha "relativamente sensata".

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